Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufm...

216 - A Insustentável Leveza do Ser (The Unbearable Lightness of Being/Philip Kaufman/1988)

Baseado no aclamado romance literário de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser é realmente um filme notável. O diretor Philip Kaufman constrói sua obra, apoiada em atuações inspiradas de Daniel Day Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. A trama narra os envolvimentos amorosos e sexuais da trinca de protagonistas e tem como pano de fundo a invasão Russa à antiga Checoslovaquia. Apesar do intuito de amostrar um dos momentos mais turbulentos da Europa Central, a realização com certeza se destaca pelo tratamento libertário dado a texto, exaltando a sensualidade e o sexo como forma libertadora e transgressora.

A Insustentável Leveza do Ser exala sensualidade, com cenas que são tesão puro, acho eu que, Lena Olin e Juliette Binoche nunca estiveram tão lindas e voluptuosas como nessa produção. Difícil não se excitar assistindo cenas como a que as duas atrizes tiram fotos nuas uma da outra, principalmente quando a desgarrada Sabina (Lena Olin) pula nas costas da tímida Tereza (Juliette Binoche) e arranca lhe a lingerie, deixando sua bela bunda a mostra, em um momento extremamente belo e contextualizado. Os melhores momentos do longa são os passados dentro de quatro paredes. O filme pode ser caracterizado em três atos, distintos entre si, mas que amostram o sexo de maneira diferente na vida dos personagens. No primeiro, a trama apresenta o medico Tomas (Daniel Day Lewis) como um conquistador inveterado, preocupado apenas em se satisfazer sexualmente e que tem em Sabina sua principal parceira; no segundo, Tomas conhece Tereza, se casam, fogem para Genebra durante a invasão Russa ao seu país, mas Tomas não deixa de ter suas aventuras sexuais fora do casamento, ainda com Sabina; no terceiro, Tereza abandona Tomas e volta para o país, ainda dominado pelos russos, nesse momento Tomas percebe que a vida não é somente sexo e volta para a Checoslovaquia atrás da esposa, mesmo que para isso ele tenha que viver como um operário, abandonando seu oficio, já que não é bem visto pelas autoridades locais, devido a textos anticomunistas escritos anteriormente a invasão Russa.

Nesse terceiro ato, é que temos as cenas mais melancólicas do longa, aonde mostram Tomas sofrendo e amadurecendo, mas que em determinado momento tem um encontro sexual com uma moça que o reconhece da sua antiga vida, a cena funciona como um alivio para o personagem, como se a luxuria passada aparecesse para lhe dar um tapa na cara, uma cena altamente fetichista, que eleva a tensão do expectador. Claro que Tereza descobre a traição do marido e resolve dar o troco, fazendo sexo casual com um desconhecido, interessante como ela resiste inicialmente, mas depois relaxa, se entrega e chega ao orgasmo. Nesse momento é quando ela entende literalmente Tomas e a sua diferenciação entre amor e sexo, que até então parecia absurda para ela, que em certo momento diz que não suporta a leveza do amado, que era insustentável essa leveza do seu ser. A Insustentável Leveza do Ser é um filme com tantas nuances, que fica ate difícil citar todas, merece varias revisões para a apreciação em sua plenitude. Os atores estão tão perfeitos, que é difícil não se apaixonar por eles. O filme pode ter alguns tropeços, excessos de clichês talvez, mas tudo passa batido perante aos sentimentos que transpõe, principalmente o prazer como forma transformadora.

13 comentários:

Adoro esse filme, muito sedutor e, ao meu ver, até bem romântico! As "fêmeas" atrizes estão perfeitas, mas pra mim o filme é mais de Daniel Day-Lewis, é visível aqui como ele se entrega, integralmente, ao seu Tomas - um personagem muito bem personificado. O texto do filme exala bem essa dimensão quase erótica, quase dramática, bem humana. Gosto demais! Seu texto está ótimo, tão sensual quanto o filme! Abraço

Celo Silva disse...

Cris, vlw pelos elogios, sabe que seu blog é uma inspiração para meus textos, principalmente os mais sensualizados. Esse filme é uma perola, já estou com vontade de rever! Grande Abraço Amigão!

Lendo o teu texto deu uma saudade do filme, Celo... Cheguei a vê-lo no cinema, imediatamente após ter lido o livro de Kundera. Foi maravilhosa a experiência e eu tenho medo de rever e não gostar tanto. Estou esperando uma cópia em excelente estado para a revisão. Ah, Tereza; Ah, Sabina... (Lembrei de um texto de Eugenio Bucci para a revista SET falando poeticamente dos belos pentelhos de Tereza. heheh)

Celo Silva disse...

Ailton, que previlegio poder assistir esse no cinema! Claro que hj em dia, até pelo amadurecimento, as percepções do filme serão diferentes, mas acho q mesmo assim a apreciação ainda será boa. Esse texto da SET deve ter sido interessante...hehehe...Sabina e Tereza são personagens marcantes mesmo. Abração.

É um filme de fato notável. tb acho-o muito sedutor e sugestivo, duas qualidades que nem todos os filmes que se pretendem sensuais, conseguem sustentar.
Abs

Celo Silva disse...

Reinaldo, bem colocado, realmente muitos filmes mais modernos não conseguem chegar a notabilidade que esse tem. Abs

Nesse caso, vou ser do contra. Vi esse filme há muitos anos e achei chatíssimo! Mas é verdade que era muito garoto quando o vi (tinha uns 14 ou 15 anos) e, talvez, se for rever hoje tenha uma outra impressão. Abraço!

Celo Silva disse...

Fabio, acho q esse merece uma segunda chance, o filme tem uma narrativa excelente, sem contar as atuações primorosas. Abs

Kuki Bertolini disse...

Celo,tu vai me matar,mas ainda não vi esse filme,acredita?eu já vi trailers,li o livro,mas o filme que é bom..nada...mas prometo,vai ser a pedida pro findi!depois desse baita texto,fiquei tri curiosa.gosto de filmes assim.baita abraçooo,meu querido!!! =D

Celo Silva disse...

Kuki, tem q resolver isso logo...rs
Acho q vai gostar desse. Abraço tb!

J. BRUNO disse...

Sou apaixonado pela Juliette Binoche e me apaixonei também por este filme, a sensibilidade pungente o contexto em que ele se passa... perfeito! Ainda vou ler o livro, prometo! Parabéns Celo e obrigado por me fazer lembrar de novo deste filme!

Carol Machado disse...

Celo, adorei o texto e como sempre, fiquei louca para rever o filme...Bjos

Celo Silva disse...

Bruno, eu q agradeço a sua interação meu caro, apareça sempre! Esse é um filme lindo demais!;

Carol, veja! É imperdivel!