Um lançamento do diretor e autor Lars Von Trier é um excelente motivo para uma ida ao cinema, mexe com os cinéfilos e as realizações do d...

212 - Melancolia (Melancholia/Lars Von Trier/2011)



Um lançamento do diretor e autor Lars Von Trier é um excelente motivo para uma ida ao cinema, mexe com os cinéfilos e as realizações do diretor sempre são obras para serem sentidas, que valem muito o clima da sala escura, que de maneira notada influi para uma melhor apreciação de Melancolia, longa imbuído de polêmica mesmo antes de seu lançamento, por conta de declarações infelizes de seu criador, mesmo que não necessariamente sobre a obra.

Logo após o epílogo apoteótico ao som de uma bela e condolente canção instrumental, o áudio é cortado bruscamente, os créditos sobem em silêncio total e o mais impressionante que a sala relativamente cheia, todas as pessoas saíram taciturnas, como em respeito a obra que tinham presenciado. Confesso que sai um tanto angustiado, não com a possibilidade do fim do mundo, mas com o sofrimento que o ser humano é passível de sentir, sofrimento que pode virar tristeza e consequentemente depressão, às vezes nos transformando de maneira aterradora, como acontece com a noiva Justine (Kirsten Dunst, em excelente atuação) no dia de seu casamento, abatimento e desordem atingem a moça de uma maneira brutal, levando a atos extremos, como se premeditasse o que viria a acontecer.

O próprio cineasta citou em certa entrevista, que Melancolia é um belo filme sobre o fim do mundo, a expressão é mais do que correta, até porque com tantas cenas dolorosas, Lars Von Trier consegue dar ao filme sempre um olhar terno, seja com a irmã de Justine, Claire (a talentosa Charlotte Gainsbourg) que cuida da irmã nos momentos de depressão e guarda um medo cruciante de que o planeta Melancholia, em rota de colisão com a Terra, acabe com suas vidas e principalmente a de seu pequeno filho ou com as pequenas, importantes e marcantes participações de John Hurt e Charlotte Rampling, cada um a seu jeito transmitem sentimentos conflitantes e protagonizam situações constrangedoras que influenciam o esmorecimento de Justine.

Melancolia também pode ser visto como uma opera trágica, ate pela pulsante trilha sonora instrumental, com belas seqüências que remetem a pinturas, como uma em que Kirsten Dunst aparece nua em pelo, deitada na beira de um rio, com a lua refletindo seu belo corpo, como se redimindo, aproveitasse seus últimos momentos de existência. O fio condutor da parte mais cientifica da historia vem de Kiefer Sutherland, que defende o marido de Claire, estudioso, um homem centrado e preocupado com a família, mas que em certo momento também perde seu equilíbrio. Outro fato interessante é ver Lars Von Trier usando de efeitos visuais para conceber seus belos e tocantes momentos, como quando o planeta Melancholia se aproxima do nosso. Com certeza, Melancolia é o filme mais poético desse controvertido, habilidoso e inventivo cineasta, mesmo que para isso ele nos leve a uma jornada de sofrimento e tristeza.

  ontrovertido e raneta Mecasse seus ultimos za. use da trristpelo deitada na beira de um rio, como a lua refletindo seu belo co


11 comentários:

Ah, um texto autêntico e muito bem conceituado teu, Celo. Interessante mesmo, diria que o melhor que li, até agora, sobre este filme. Ainda não pude conferir, como te falei, mas a vontade está nas alturas. Acho que a beleza da direção, do conceito, roteiro e atuações vão me tocar de jeito! Eu admiro a coragem de Von Trier em tratar de temas tão difíceis. E esse filme é, acima de tudo, um ótimo estudo da depressão, acredito. Um abraço

Celo Silva disse...

Cris, obrigado pelos elogios, vindo de vc, um escritor nato, fico envaidecido. O filme é muito bom mesmo! Mas como disse, é doloroso. Mas mesmo assim veja!

Laércio Cunha disse...

Teu texto tá ótimo Celo, muito bom. Eu tô muito curioso para ver esse filme, adoro os projetos do Lars Von Trier. Esse final de semana passado resolvi criar coragem e assistir o Anti Cristo hehea Achei excelente, um tanto que pesado e surreal mas com um contexto perfeito.

http://thecinefileblog.blogspot.com/

um grande abraço!

Hugo disse...

Pretendo assistir.

Abraço

Celo Silva disse...

Laercio, vlw pela visita e pelos elogios, sua presença é sempre bem vinda. Anticristo é um filme pesado mesmo, mas mesmo assim carrega certa poesia. Melancolia é uma obra mais intimista de Von Trier, talvez seu melhor filme;

Hugo, vale muito a pena.

Abs a tds.

Cine Mosaico disse...

Ótimo texto.

O melhor filme do ano até agora.
Impossível não se encantar com a beleza das imagens e com a atuação impecável de Kirsten Dunst.

Abs.

pudimdecinema disse...

Parabéns pelo texto, Celo! E Melancolia é um dos filmes que mais aguardo neste ano. Quero ver no cinema.

PS: Ver aquela cena com a Dunst deve ser melhor que X Video, hehehe.

Celo Silva disse...

Cine Mosaico, obrigado pela visita e apareça sempre! Com certeza, Melancolia é um dos filmes de destaque desse ano, talvez até o melhor mesmo. Lars Von Trier é um sujeito com suas pretensões, mas sabe fazer cinema como poucos;

Pudim, veja logo, adoraria ler um texto la no blog. Dunst esta super ousada nessa obra, verá! hehehe

Abs a tds!

LELLA disse...

UAU!! Se já não tivesse muito afim de ver esse filme, com esse seu texto, a motivação fica maior ainda.

Parabéns! E vou levar mais esse :)

Abraço,

beto disse...

Fiquei procurando esta foto para coloca-la no meu blog e não consegui. Que beleza, hein! Talvez, o único momento de não sofrimento do filme, não acha?E belo comentário também.

Celo Silva disse...

Lella, obrigada pelo elogio!

Beto, certamente um dos poucos momentos não tristes mesmo. Vlw

Abs a tds!