O ambiente um orfanato, local ideal para um suspense. Protagonistas: Christina Delassalle ( Véra Clouzot ), a abastada dona do recinto,   e...

211 - As Diabólicas (Les Diaboliques/Henri-Georges Clouzot/1955)

O ambiente um orfanato, local ideal para um suspense. Protagonistas: Christina Delassalle (Véra Clouzot), a abastada dona do recinto,  e Nicole Horner (Simone Signoret), uma professora ex – amante do marido de Christina. Vitima ou não: Michell Delassalle (Paul Meurisse), diretor do local e marido de Christina, sujeito violento e grosseiro, tanto com uma, quanto com outra, que se mantém casado com Christina apenas pela sua fortuna e não a concede o divorcio por nada. Um motivo para um assassinato acaba aparecendo e logo acontece, planejado minuciosamente pelas duas mulheres, mais do que insatisfeitas com a conduta do marido e amante.

As Diabólicas, produção francesa dirigida por Henri-Georges Clouzot, é um suspense competente, mesmo que tênue, mas que deixa o expectador intrigado com a conseqüência do assassinato de Michell Delassalle, que acontece nos primeiros 30 minutos, até porque após o crime, Delassalle é jogado dentro da piscina do orfanato, como para acobertar a morte com um acidente, mas dias depois a piscina é esvaziada e nenhum corpo é encontrado, começando assim uma procura pelo corpo do diretor, que inicialmente é feita pela dupla de assassinas, mas logo ganha a presença do experiente detetive Alfred Fichet (Charles Vanel).

O que torna a obra de Clouzot um filme mais do que interessante, é a presença de um elemento sobrenatural, que em determinado momento entra na trama com as constantes aparições do diretor para as crianças do orfanato, sem contar a seqüência em que é tirada uma macabra Foto do Ano do orfanato, em que Delasalle aparece de relance em um dos vidros da instituição. Nesse momento, o filme se carrega de nuances psicológicas, transformando Christina em uma mulher descontrolada e com a saúde debilitada, que se auto pune a todo momento pela morte do marido, e seu estado piora gradativamente com as investidas de Nicole, para que não revele as autoridades o verdadeiro motivo do sumiço do diretor.

A linha narrativa do filme também acaba levando a lugar nenhum, não como um defeito da obra, mas da maneira que possa confundir a cabeça do expectador. A atuação de Véra Clouzot, como a esposa abastada de bom coração que acaba sendo influenciada pelas traições do marido é perfeita, o seu constante conflito de emoções é um dos pontos altos da produção. Simone Signoret também aparece bem como a incitadora do fato, mesmo que seja curioso a esposa se tornar comparsa da amante, o que levanta a duvida de interesses homoafetivos de ambas as partes, mesmo que um tanto veladas. As Diabólicas é uma obra referencial para um bom suspense psicológico, com um epílogo que deve ter sido bem assustador para a época e que ainda ganhou remake americano em 1996 chamado Diabolique com Sharon Stone, no auge da sensualidade fazendo o papel de Nicole Horner, e a bela Isabella Adjani no papel de Christina, que tem até seu interesse, mas não atinge a notabilidade desse.

5 comentários:

Lembro que quando vi esse filme, anoooos atrás, o que mais me deixou atento foi a sensualidade misturada com o tom de perversão que o roteiro externava. É um ótimo filme, bem dirigido e atuado! Teu texto me alertou que preciso rever, urgente, sinceramente. Eu detesto o Diabolique, mas tenho que rever esse tb. Decidirei qual dos dois postarei, futuramente, no Apimentário!

um abs

Celo Silva disse...

Cris, reveja sim, quem sabe um post duplo, mas acho q não faz teu genero. Abs

Rodrigo Mendes disse...

Quando eu penso na fita com a Sharon Stone e a Adjani sinto náuseas. Rs!
Bela lembrança de um clássico que preciso até obter na minha colection!
Abs.
Rodrigo

Celo Silva disse...

Rodrigo, até q não acho Diabolique muito ruim, na epoca ate gostava bastante, mas é um filme bem irregular, diferente desse do Clouzot q vai crescendo durante a exibição. Vale ter esse na coleão mesmo.

Mais uma falha no meu repertório cinéfilo. Preciso consertá-la com urgência!