Não é a toa que Douglas Sirk , cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de ...

203 - Tudo que o Céu Permite (All That Heaven Allows/Douglas Sirk/1955)



Não é a toa que Douglas Sirk, cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de romances difíceis e transgressores em sua filmografia. Em Tudo que o Céu Permite, o diretor comprova muito bem seu talento, conduzindo belissimamente a historia de amor entre Cary (Jane Wyman), viúva aristocrata, e Ron (Rock Hudson), um jovem jardineiro.

A atração de Cary e Ron é evidente logo no inicio do filme, quando ela o convida para um café. Ron, arborista, brinda Cary com belas palavras, dizendo que certo tipo de arvore cresce apenas em locais aonde existe muito amor. O romance aflora, meio que clandestinamente, e tudo se mantém belo e feliz, até o dia em que Ron faz o pedido para que Cary se case com ele e vá morar no moinho que esta reformando. Bom, percebe – se que as coisas não vão dar muito certo, nê? Cary vai precisar enfrentar os filhos, a sociedade em que vive e até seus próprios preceitos para viver novamente, já que sua vida, depois da morte do marido, tornou – se um tanto monótona, mas será que o relacionamento dela com Ron não foi apenas um escapismo da vida tediosa que levava? Essa é uma das perguntas que são levantadas também.

Tudo que o Céu Permite esmiúça com certa elegância a situação em que vive Cary, tendo que manter as aparências, mesmo após a morte do marido, assediada por senhores e abandonada pelos filhos, que apenas se preocupam com o que os outros vão dizer. Tendo ainda que reprimir seus sentimentos, considerados um tanto impróprios para alguém de sua idade. Com tanta intensidade pela vida, não seria estranho que Cary se apaixonasse ou flertasse com o galanteador Ron, um jovem cheio de vida. Estranho seria se fosse diferente, mas vale lembrar que o filme foi realizado nos conservadores anos 50, e tem sua parcela de ousadia a tratar de um tema que com certeza ofende boa parte do American Way of Life. Como uma senhora de família poderia namorar ou casar com um sujeito mais jovem ou de classe inferior?

Muito da qualidade da obra vem das atuações de Rock Hudson e Jane Wyman, que apresentam notável química, com belos diálogos e cenas mágicas conduzidas pelo diretor Douglas Sirk, alias a composição de muitas seqüências é dotada de extrema delicadeza, com uma trilha sonora suave que enche de sentimentos a tela e cenários dignos de contos de fadas, com direito a um cervo, animal belo e frágil, que provavelmente representa o amor deles. A seqüência final, com certeza, deve ter sido uma das propulsoras para a criação da expressão: romance sirkiano. Tudo que o Céu Permite é um filme nobre, que deve ser visto e revisto, mesmo sendo uma obra datada, não deixa de ser atual e mantém a sua vitalidade.

6 comentários:

alan raspante disse...

Uma amiga já tinha me indicado o filme, mas nem procurei ver... Fiquei animado agora, parecer ser mesmo muuito bom! Vou ver, com certeza =)

Celo Silva disse...

Alan, veja mesmo,e poste nos Meus Cigarros, diversão classe A. Grande Abraço.

Um filme belo, real e de extrema importância. Não acho melodramático, mas sim romantico e delicado. É sensível, e, como você disse, Rock com Jane têm uma química boa em cena. Acreditamos no sentimento deles. Um filme que quero ter em dvd.

Ótimo seu texto, gostei, você fez um texto mais íntimo, com perguntas, bem reflexivo. Parabéns!

Celo Silva disse...

Cris, é um filme belo mesmo, uma historia até simples que se torna marcante. Obrigado pelo elogio, vindo de uma pessoa q escreve tão bem, seus textos tb me servem de inspiração. Quero assistir agora Sublime Obsessão, com o mesmo casal protagonista e dirigido por Sirk. Acho q verei logo, grande abraço.

Ótimo filme, um dos melhores de Douglas Sirk, o rei do melodrama. Destila com muita eficiência as hipocrisias de um sociedade tacanha. Parabéns pelo blog! Abraço!

Celo Silva disse...

Fabio, é um excelente filme mesmo, Sirk tinha a mão boa para filmes delicados. Obrigado pela visita e apareça sempre! Abs