O sugestivo titulo nacional O Seqüestro de um Herói , com certeza, faz alusão a determinado momento da trajetória de Stanilas Graff ( Yvan A...

O sugestivo titulo nacional O Seqüestro de um Herói, com certeza, faz alusão a determinado momento da trajetória de Stanilas Graff (Yvan Attal), presidente de uma influente indústria francesa, que almoça com o presidente da nação, negocia com lideres mundiais, joga pôquer com artistas famosos, é casado e tem duas filhas, mas antes de ir para casa sempre visita a amante. Um dia, antes de ir para o trabalho, Stanilas é seqüestrado por uma quadrilha que exige que seja pago 50 milhões de Euros de resgate. O seqüestro desencadeia uma investigação jornalística que joga todo o mau comportamento de Stanilas no ventilador, desde incontáveis dividas no jogo, até as inúmeras amantes que o empresário possui. Aparentemente falido, Stanilas se vê na mão dos impiedosos e profissionais seqüestradores, que não acreditam que ele não detenha a quantia e estão dispostos a tudo para receber o pagamento, até mesmo cortar partes do corpo do industrial. Enquanto isso, André Peyrac (André Marcon), líder do conselho fiscal, parece manipular a família e o conselho para que Stanilas seja destituído do poder.

Inegavelmente, O Seqüestro de um Herói, dirigido e roteirizado pelo também ator Lucas Belvaux, tem toda pinta de trilher no seu prólogo, até pela enervante seqüência em que os seqüestradores cortam um dos dedos de Stanilas, mas o filme vai perdendo o seu ritmo de suspense durante a exibição, tornando – se um drama que trata do impacto que o seqüestro tem na vida do industrial e dos que o rodeiam. Na verdade, a obra de Belvaux se divide em dois atos, o primeiro bem suspense, marcado por uma excelente trilha sonora, com cenas escuras e de tom violento; no segundo ato, a trama trata mais do desenrolar dos fatos relativos ao seqüestro, em um bem desenvolvido drama familiar, com certas nuances politicas que não vou citar para não estragar o prazer de quem se predispor a assistir. O ator Yvan Attal entrega uma boa atuação, marcada pelo sofrimento que seu personagem sofre no cárcere.

O Seqüestro de um Herói está mais para cinema comercial do que para cinema artístico, que tanto caracterizou as produções francesas; não que seja ruim, até porque o filme apresenta com certa qualidade ao que se propõe e tem um epílogo bem interessante. O estranho foi essa produção de 2009 pintar em uma sessão cult no Cinemark, e o mais estranho ainda, a sessão estar relativamente cheia e com vários adolescentes perturbando a paz. Prova de que ingressos mais baratos, como os que são utilizados nessa “sessão cult”, podem ser catalisadores de publico para obras menos prestigiadas.

Claro que quando aparece uma obra dotada de qualidades sempre aparecem pessoas incensando o trabalho mais do que deveria, é o caso de muit...



Claro que quando aparece uma obra dotada de qualidades sempre aparecem pessoas incensando o trabalho mais do que deveria, é o caso de muitos críticos que elevaram essa realização ao nível de filmes como O Poderoso Chefão. Não que O Profeta seja ruim, na verdade é muito bom, mas depois de tantos comentários esfuziantes a época do lançamento da película, culminando em uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, fui cheio de expectativas de uma obra prima, que não se concretizou e ate que foi bom ter dado um tempo para a obra se assentar.

Visto, é evidente que Tahar Rahim é o nome que faz O Profeta, do diretor frances Jacques Audiard ser um filme notável. O ator francês, descendente de argelinos, constrói de maneira visceral o personagem Malik El Djebena, árabe, mas inacreditavelmente desligado da religião, que é condenado a seis anos de prisão em um presídio comandado por italianos ou corsos como são chamados no filme. Atrás das grades e sem amigos, Malik começa a ser assediado por sodomitas, uma solução para não cair nos constantes estupros aparece, na verdade acaba sendo imposta: cometer um assassinato dentro do presídio para os mafiosos corsos e assim ganhar proteção. Essa seqüência acaba sendo uma das mais impressionantes da obra, tensa e crua, além do fantasma da vitima, um conhecido criminoso árabe, tornar – se a consciência de Malik durante todo o filme. Nesse momento, entra a outra figura marcante de O Profeta, o mafioso César Luciani (Niels Arestrup), violento e extremista, que não poupa esforços para alcançar seus objetivos. Luciani, inicialmente, trata Malik apenas como um empregado, mas logo o árabe começa a ter importante papel nas transações do criminoso.

Um dos acertos de O Profeta é a edição acelerada, que traz o expectador praticamente para dentro do filme. A realização também trata bem do submundo, mostrando as conexões que criminosos podem ter dentro e fora do presídio, o trafico de drogas e subsequentes desfechos familiares. Não é um filme repleto de seqüências de ação, mas possui algumas marcantes e de tirar o fôlego, como um impressionante tiroteio dentro de um carro. A obra também tenta dar ao personagem um toque mágico, como se Malik fosse um vidente, por isso o titulo O Profeta, mas acho que essa premissa é pouco desenvolvida na trama, mas que não chega a desmerecer o filme.

Hesher ( Joseph Gordon Lewitt ) parece um sujeito que esqueceu de crescer, cabeludo, barbudo, com tatuagens de mau gosto, fã de rock pesado...


Hesher (Joseph Gordon Lewitt) parece um sujeito que esqueceu de crescer, cabeludo, barbudo, com tatuagens de mau gosto, fã de rock pesado, beberrão, maconheiro, itinerante em sua van caindo aos pedaços, sempre com uma metáfora mal criada na ponta da língua, além de extremamente grosseiro. Um dia, Hesher é colocado em situação incomoda pelo garoto T.J (Devin Brochu), um menino deslocado, que perdeu a mãe recentemente, sofre perseguição dos colegas na escola e mora com o pai (Rainn Wilson) viciado em antidepressivos e a avó (Piper Laurie), um tanto esclerosada. A maneira que Hesher arruma para se vingar do menino é indo morar em sua casa (isso mesmo), do nada ele aparece por lá e se instala na residência daquela família um tanto disfuncional, que parece não se preocupar com a presença daquele sujeito estranho, que acaba colocando T.J sempre em situações difíceis.

A realização do diretor estreante Spencer Susser apresenta situações pouco criveis, mas cresce com os sentimentos representados, não de forma utópica, muitos deles bem perto da realidade, de forma conflitante, o que trás os personagens para muito perto do expectador, podendo comover, mesmo com algumas situações constrangedoras. O diretor também consegue dar uma bem vinda áurea pop a produção, usando muito bem a trilha sonora heavy metal que marca os momentos mais dramáticos e engraçados, talvez até pela experiência com direção de videoclipes. O epílogo é algo marcante, na minha opinião, um dos mais emocionantes do ano.

Se por um lado, Hesher é um filme com alguns problemas de ritmo e imperfeições, por outro lado é uma obra que consegue ser arrebatadora, devido a grande atuação do elenco. Joseph Gordon Lewitt esta bem demais, comprovando seu talento e versatilidade no papel titulo, mas com certeza o filme é do garoto Devin Brochu, que também demonstra muito talento para o oficio. O filme ainda se dispõe de coadjuvantes de luxo como Natalie Portman e John Carroll Lynch, além de mostrar uma boa faceta dramática do comediante Rainn Wilson. Uma prova de que o cinema americano, quando foge de formulas, mesmo sem ser notável, consegue ficar acima da media.

Dick ( Scott Wilson ) é um americano médio típico do interior, gosta de caçar com seu rifle, de tomar seu uísque e de mulheres. Perry ( Rob...


Dick (Scott Wilson) é um americano médio típico do interior, gosta de caçar com seu rifle, de tomar seu uísque e de mulheres. Perry (Robert Blake) é metade índio e metade homem branco, com tendências homossexuais, ex – combatente da Guerra da Coréia, toca guitarra e acredita que os antigos mapas de seu pai guardam os lugares de tesouros escondidos. O que eles têm em comum? Passaram uma temporada juntos na cadeia. E será que em parceria eles poderiam formar uma terceira personalidade impiedosa e cruel, capaz de cometer atrocidades? Bom, essa foi à conclusão para o assassinato de uma familia inteira acontecido em Holcomb, uma cidade rural nos EUA de 270 habitantes, em 1959, que rendeu o romance literário concebido pelo talentoso escritor americano Truman Capote.

A Sangue Frio, dirigido e roteirizado por Richard Brooks, de filmes notáveis como Gata em Teto de Zinco, é a adaptação cinematográfica para a obra de Capote. Uma produção contundente, que narra o planejamento improvavel, a execução um tanto atrapalhada do crime, a lenta investigação, a facil captura dos criminosos e a temporada em que passaram no corredor da morte. Mesmo que de maneira não linear, a narrativa acaba sendo um acerto para a fluência do filme, que envolve de maneira impressionante. Os protagonistas da historia são os assassinos Dick e Perry, que aparentemente tiveram um relacionamento na temporada que passaram atrás das grades, mas que em nenhum momento é confirmando, a não ser pelos momentos em que Dick chama Perry por “benzinho” ou “doçura”. Durante o tempo que esteve preso, Dick ouviu uma historia de um preso que acreditava que a família Clutter possuía um cofre em casa com 10 mil dólares, o que acabou sendo a mola propulsora para o massacre.

O que torna A Sangue Frio uma obra diferenciada é o tratamento dado ao texto de Capote. Nas mãos de um outro cineasta o filme renderia um trilher dos mais óbvios, com um personagem central investigador e os criminosos retratados de maneira distanciada, mas Richard Brooks, acostumado a dramas, traça o perfil dos assassinos, com direito a momentos delicados, como uma seqüência em que a dupla ajuda um garoto e seu debilitado avô ou flashbacks que remontam o passado do perturbado Perry, assombrado pelo pai e que em momento crucial o rapaz afirma que o odeia, mas também o ama. Claro, que a obra também possui seus momentos violentos, como a tensa e cruel seqüência em que os assassinatos são mostrados e se dispõe da meia hora final para narrar os derradeiros momentos da dupla no corredor da morte, criando as cenas mais emocionantes e tristes do filme e ainda não deixando de fazer sua critica ao sistema judicial americano. Simplesmente um filmaço, que com certeza influenciaria um bocado de outros que viriam, obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze.

P.S.: Agradecimentos ao bom amigo Cristiano Contreiras, do excelente blog Apimentário, que me abriu os olhos para essa pérola. Quando se pensa que assistiu a maioria dos filmes importantes, sempre aparece um bocado a ser assistido. Que maravilha!

Uma das nuances de se assistir tantos filme em um ano, é que muitas vezes não se esta com cabeça para filmes mais complexos e acabasse vend...

Uma das nuances de se assistir tantos filme em um ano, é que muitas vezes não se esta com cabeça para filmes mais complexos e acabasse vendo qualquer coisa ou produções que possa ignorar. Como esse Um Jantar para Idiotas, dirigido por Jay Roach, mais conhecido pelos filmes do agente Austin Powers. O interessante também, é que essas obras tapa buraco que são assistidas sem expectativa nenhuma podem surpreender. Mesmo que não chegando a um status de notável, Um Jantar para Idiotas consegue ser divertido e engraçado, se apoiando na boa química e timing cômico da dupla de protagonistas formada por Steve Carrell e Paul Rudd.

Na trama, Tim (Paul Rudd), é um executivo ascendendo na empresa aonde trabalha e que consegue impressionar seu chefe ganhando um cliente rico. Animado, o mesmo chefe, convida Tim para um jantar que promove todos os meses em sua casa. O intuito do encontro é que pessoas ligadas ao patrão levem outras pessoas risíveis ou idiotas como o próprio titulo sugere e ao final da noite uma delas é agraciada com o troféu de mais idiota. Nesse momento, é quando entra Barry (Steve Carrell) na historia, fiscal do imposto de renda, abandonado pela esposa, atrapalhado, mas sujeito de bom coração, que vive para o hobby de criar maquetes temáticas com ratos empalhados. Bom, nem preciso dizer que Barry é a vitima perfeita para Tim levar ao festival de aberrações do tresloucado jantar.
  
Um Jantar para Idiotas não deixa de ter piadas infames, tão comuns nas comedias americanas mais recentes, mas também não deixa de investir nos chamados “bromances”, historias de amizade entre homens que vem sendo cada vez mais exploradas no cinema ianque como em Superbad, Eu te amo, Cara, Segurando as Pontas, entre outros menos famosos. O filme também apresenta coadjuvantes conhecidos, como o sempre chato Zack Galifianakis e o sumido Ron Livingston. Um filme que talvez valha uma conferida, ainda mais como forma de escapismo

Não é a toa que Douglas Sirk , cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de ...



Não é a toa que Douglas Sirk, cineasta alemão radicado nos EUA, é considerado por muitos o Rei do Melodrama, tratando costumeiramente de romances difíceis e transgressores em sua filmografia. Em Tudo que o Céu Permite, o diretor comprova muito bem seu talento, conduzindo belissimamente a historia de amor entre Cary (Jane Wyman), viúva aristocrata, e Ron (Rock Hudson), um jovem jardineiro.

A atração de Cary e Ron é evidente logo no inicio do filme, quando ela o convida para um café. Ron, arborista, brinda Cary com belas palavras, dizendo que certo tipo de arvore cresce apenas em locais aonde existe muito amor. O romance aflora, meio que clandestinamente, e tudo se mantém belo e feliz, até o dia em que Ron faz o pedido para que Cary se case com ele e vá morar no moinho que esta reformando. Bom, percebe – se que as coisas não vão dar muito certo, nê? Cary vai precisar enfrentar os filhos, a sociedade em que vive e até seus próprios preceitos para viver novamente, já que sua vida, depois da morte do marido, tornou – se um tanto monótona, mas será que o relacionamento dela com Ron não foi apenas um escapismo da vida tediosa que levava? Essa é uma das perguntas que são levantadas também.

Tudo que o Céu Permite esmiúça com certa elegância a situação em que vive Cary, tendo que manter as aparências, mesmo após a morte do marido, assediada por senhores e abandonada pelos filhos, que apenas se preocupam com o que os outros vão dizer. Tendo ainda que reprimir seus sentimentos, considerados um tanto impróprios para alguém de sua idade. Com tanta intensidade pela vida, não seria estranho que Cary se apaixonasse ou flertasse com o galanteador Ron, um jovem cheio de vida. Estranho seria se fosse diferente, mas vale lembrar que o filme foi realizado nos conservadores anos 50, e tem sua parcela de ousadia a tratar de um tema que com certeza ofende boa parte do American Way of Life. Como uma senhora de família poderia namorar ou casar com um sujeito mais jovem ou de classe inferior?

Muito da qualidade da obra vem das atuações de Rock Hudson e Jane Wyman, que apresentam notável química, com belos diálogos e cenas mágicas conduzidas pelo diretor Douglas Sirk, alias a composição de muitas seqüências é dotada de extrema delicadeza, com uma trilha sonora suave que enche de sentimentos a tela e cenários dignos de contos de fadas, com direito a um cervo, animal belo e frágil, que provavelmente representa o amor deles. A seqüência final, com certeza, deve ter sido uma das propulsoras para a criação da expressão: romance sirkiano. Tudo que o Céu Permite é um filme nobre, que deve ser visto e revisto, mesmo sendo uma obra datada, não deixa de ser atual e mantém a sua vitalidade.

O filipino Brillante Mendoza é um cineasta que ficou conhecido por obras polemicas como Serbis e Kinatay , filmes que tratavam de homossex...


O filipino Brillante Mendoza é um cineasta que ficou conhecido por obras polemicas como Serbis e Kinatay, filmes que tratavam de homossexualidade e violência de maneiras ousadas, não assisti nenhum dos dois e o seu mais recente Lola é minha primeira incursão na filmografia desse diretor, que cada vez mais vem se tornando cult entre os cinéfilos.

Porém, pelo que andei lendo, em Lola, Mendoza se despe um pouco do estilo visceral que chamou a atenção anteriormente para apostar em um tom mais documental para contar a historia de duas senhoras, na verdade duas vovós ou Lolas como na língua local. O neto de uma delas é acusado de assaltar e assassinar o neto da outra, e as duas, desprovidas de informações ou entendimento, se vêem envolvidas no desfecho dessa situação que acaba indo ser resolvida na justiça.

A obra de Mendonza é de uma lentidão impressionante, como se o diretor quisesse captar a miséria do seu povo sem pressa; miséria e pobreza que são mostradas de maneira crua e cruel, em nenhum momento dando esperança aos personagens. A câmera acompanha as Lolas, contemplando suas tristezas e desencantamentos, o filme possui poucos diálogos, alguns bem desconexos, o que também pode desinteressar, muito da historia é contada de maneira visual, com a chuva incessante, os guetos alagados, vielas imundas, casas totalmente insalubres, ruas lotadas e violentas, com assaltos acontecendo a todo momento. As atuações também se confundem muito com a vida real daquele povo, o que também torna difícil a avaliação.

Apesar de ser uma realização que não cria muitas emoções, apenas expõe, até por focar os personagens com certo distanciamento, o que exalta ainda mais o tom de documento da obra, Lola possui uma cena muito emocionante, quando durante uma tempestade, um cardume de peixes vai parar dentro de uma casa que beira o rio, trazendo fartura e felicidade para a família, uma cena que brinda o expectador com alguma ternura. No mais, Lola é um filme um tanto difícil de assistir os seus quase 100 minutos, o que comprova minha afirmativa foi quando as luzes do cinema se acenderam e seis das dez pessoas presentes na sala estavam dormindo.    

Difícil não comparar Super , filme escrito e dirigido por James Gunn (que também co – escreveu Madrugada dos Mortos e dirigiu Seres Rastej...

Difícil não comparar Super, filme escrito e dirigido por James Gunn (que também co – escreveu Madrugada dos Mortos e dirigiu Seres Rastejantes) com Kick Ass de Matthew Vaughn. A premissa de que nunca ninguém quis ser um super herói, e de repente um sujeito meio desmiolado tenta isso, até evidencia essa semelhança, mas quando assistido, Super vai além da aventura juvenil cool, apresentando um drama travestido de comedia e que em certo momento pode até emocionar.

Na verdade, essa trama não chega a ser novidade, em 2009 o diretor Peter Stebbings realizou Defendor com Woody Harrelson, um bom filme, que transita bem entre o drama e comedia, apresentando um personagem com atraso mental que resolve salvar o mundo. Em Super, o personagem principal é Frank D´Arbo (Rainn Wilson), cozinheiro de uma lanchonete que é casado com Sarah (Liv Tyler), viciada em drogas e bebidas. A história começa quando Sarah se vê envolvida com Jacques (Kevin Bacon), traficante de drogas com toda pinta de super vilão, chegando ao ponto de abandonar o marido e ir morar com o traficante. Frank, então, cria o super herói Crimson Bolt, apoiado na visão que teve de Deus ordenando que fizesse justiça, e na esperança de salvar a esposa. Claro que antes do confronto final com Jacques, muita coisa vai acontecer, até aparecer no seu caminho Libby (Ellen Page), uma atendente de uma loja de HQs, tão pertubada quanto Frank e que desconfia que o cozinheiro seja Crimson Bolt, que a essa altura preenche os noticiários dos jornais com suas proezas e consequentemente, após comprovar sua tese, Libby torna – se Boltie, a descontrolada menina prodígio.

Super é uma obra que poderia ter seu lado dramático mais explorado em detrimento a seqüências de ação ou momentos superficiais e engraçadinhos inseridos na historia, mas não deixa de ser uma interessante representação sobre a personalidade humana. O filme também é repleto de violência explicita, o que também mascara o tom melancólico da mesma. O ator Rainn Wilson, da serie The Office e do criticado O Roqueiro, faz um excelente trabalho, criando um personagem demente, mas ao mesmo tempo doce e cativante, que até então só teve duas felicidades na vida: quando se casou e quando ajudou um policial a prender um criminoso. Ellen Page também comprova seu talento, criando um personagem tão icônico quanto a Hit Girl de Kick Ass. O epílogo, com uma seqüência repleta de emoção, faz um filme com algumas imperfeições valer a pena de verdade.

Totalmente desnecessária mais uma seqüência/remake para a franquia Pânico criada em 1996 pelo diretor Wes Craven , mas quantas continuaçõe...



Totalmente desnecessária mais uma seqüência/remake para a franquia Pânico criada em 1996 pelo diretor Wes Craven, mas quantas continuações/refilmagens dispensáveis não vêm sido lançadas ultimamente? E até que Pânico 4 diverte, mesmo sem causar medo em ninguém.

A trama de Pânico 4 não é das mais misteriosas, Sidney Prescott (Neve Campbell), depois de dez anos ausente da cidade de Woodsboro, retorna para divulgar o livro que escreveu, dando seu ponto de vista dos assassinatos que presenciou. A sua visita a cidade faz desencadear uma nova onda de crimes protagonizados pelo serial killer Ghostface e claro que as desconfianças caem em cima de todos.

Personagens clássicos da franquia, como o policial Dewey Riley (David Arquette) e Gale Weathers (Courteney Cox) estão lá, com a adição de Jill Roberts (Emma Roberts), sobrinha de Sidney e que representa o mesmo papel que consagrou Neve Campbell. As tradicionais referencias a filmes de terror também não poderiam ficar de fora, mas desta vez satirizando os remakes e os filmes porn – tortures, como Jogos Mortais, tão comuns nesse inicio de século 21. O filme ainda tem um monte de participações e coadjuvantes famosos, como Anna Paquin, Hayden Panetiere, Kristen Bell, Rory Culkin, Adam Brody e Anthony Anderson, o que acaba sendo uma atração à parte assistir a morte de todos eles.

Pânico 4 é um filme totalmente previsível, do inicio ao fim, mas consegue ser cool e ter um bom ritmo, dando – se ao luxo de homenagear Giallos, Slashers e uma cena de veneração explicita ao Iluminado de Stanley Kubrick. Em certo momento um dos personagens cita uma das novas regras dos filmes de terror: o remake deve ser superior ao original, talvez Wes Craven não tenha conseguido, mas atinge uma outra nova regra: não ofender o original.   

Primeira incursão do ator Marcos Paulo na direção, Assalto ao Banco Central é um filme curioso, até por retratar um fato recente da histo...

Primeira incursão do ator Marcos Paulo na direção, Assalto ao Banco Central é um filme curioso, até por retratar um fato recente da historia criminal brasileira. Porem, a obra carece de linguagem cinematográfica e melhor desenvolvimento dos personagens, que se apóiam em frases de efeito, criadas na medida para empolgar o expectador, mas que em certo momento passam a se tornarem enfadonhas.

A obra apresenta linhas temporais diferentes, uma que retrata a organização e execução do maior assalto em terras tupiniquins, outra do ponto de vista dos investigadores, extremamente mal caracterizados por Lima Duarte e Giulia Gam, os dois parecem saídos de um episodio mal acabado da serie CSI. Outro ponto que poderia ser positivo, mas que acaba funcionando de forma negativa são as constantes piadas inseridas, que tiram totalmente a chance de se criar uma atmosfera de tensão e suspense, trazendo o filme para muito perto de mini – series policiais produzidas pela Rede Globo, que também produz esse.

O lado positivo de Assalto ao Banco Central vem dos criminosos, encabeçados por Milhem Cortaz, denominado Barão na trama, que agrega ao personagem líder do bando uma  caracterização de mafioso mexicano. Outros criminosos de destaque na obra são Carla (Hermila Guedes) e Mineiro (Eriberto Leão), que junto com o Barão formam um triangulo amoroso. A trupe de coadjuvantes é que acaba atestando ao filme o explicito tom cômico, destacando Tatu (Gero Camilo), o Doutor (Tonico Pereira) e o impagável evangélico Devanildo (Vinicius de Oliveira, o garoto de Central do Brasil).

Assalto ao Banco Central é um filme baseado em fatos reais, mas que inegavelmente carrega um tom ficcional, dos mais adaptados para tentar fazer funcionar. Difícil acreditar que certas situações aconteceram como citado na obra. Uma produção que tinha tudo para ser marcante, mas que se perde em formulas, provavelmente impostas por seus produtores, que no final faz o filme valer apenas como uma produção B de ação.